sexta-feira, 8 de março de 2013

HOJE 8 DE MARÇO PARABENIZO TODAS AS MULHERS COM UM POUCO DA VIDA DESSA EXTRAORDINÁRIA MULHER CAROLINA MARIA DE JESUS

 "Morreu como sempre viveu: pobre."

 Vídeo gravado em Sacramento por Sacrahome.
 
Vídeo gravado no programa Tirando de Letra pela Universidade Nacional de Brasília (UNB).
Tese de Doutorado de Germana Henriques
 
 


 Carolina Maria de Jesus
Uma mulher negra, mãe solteira de três filhos, migrante, catadora de papel que, há quarenta e cinco anos, quando ainda vivia numa das primeiras favelas da cidade de São Paulo, viu a edição de trinta mil exemplares de seu primeiro livro esgotar em três dias. Essa é a história da escritora Carolina Maria de Jesus
Carolina Cantarino
Arquivo pessoal de Audálio Dantas
O jornalista Audálio Dantas foi quem “descobriu” Carolina de Jesus ao escrever uma matéria sobre a expansão da favela do Canindé que, em meados dos anos 1960, foi desocupada para que fosse construída a Marginal Tietê. Ao conversar com os moradores, o jornalista conheceu a escritora que lhe mostrou, em seu barraco, uma coleção de cerca de 20 cadernos, recolhidos do lixo, nos quais ela registrava o seu cotidiano. Dantas convenceu a editora Francisco Alves a publicar os diários de Carolina de Jesus sob o título Quarto de despejo, referência ao modo como a escritora percebia a favela em oposição à cidade: “Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludo, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo”.
Quarto de despejo tornou-se um sucesso editorial, sendo traduzido em treze línguas e mais de quarenta países, vendendo cerca de um milhão de cópias em todo o mundo. Os registros diários de Carolina de Jesus iniciaram-se em 15 de julho de 1955, sendo interrompidos em 28 de julho do mesmo ano e retomados apenas em 2 de maio de 1958. O livro se encerra com um registro feito no dia 1.o. de janeiro de 1960. Mas nem o formato de diário nem a descontinuidade cronológica prejudicam a estrutura narrativa.
Mesmo com dificuldades, a escritora ainda publicou, no Brasil, os livros Casa de alvenaria (1961), Provérbios (1963) e Pedaços da fome (1963) e >i>Diário de Bitita (publicação póstuma, 1982). O historiador José Carlos Sebe Bom Meihy, durante a sua pesquisa para o livro Cinderela negra: a saga de Carolina Maria de Jesus (escrito em parceria com o historiador norte-americano Robert Levine), localizou, junto à família da escritora, uma caixa com trinta e sete cadernos que trazem poemas, contos, quatro romances e três peças de teatro. Para o historiador, esse acervo revela que os diários que fizeram Carolina Maria de Jesus ficar famosa no mundo inteiro, não representam nem de leve a essência da obra da escritora: “estamos em face de um caso único na história da cultura popular nacional, onde, na favela, uma autora semi-analfabetizada produziu uma obra que, segundo o impulso inicialmente dado, seria uma promessa de renovação de nossos critérios de definição cultural”, afirma Bom Meihy ao lamentar o esquecimento de uma escritora com uma importância singular na história brasileira.
Bitita
Eu estava com sete anos e acompanhava a minha mãe por todos os lados. Eu tinha um medo de ficar sozinha. Como se estivesse alguma coisa escondida neste mundo para assustar-me. Eu ainda mamava. Quando senti vontade de mamar comecei a chorar.
"Eu quero irme embora!
Eu quero mamar!
Eu quero irme embora!"
A minha saudosa professora D.Lanita Salvina perguntou-me: "Então a senhora ainda mama?"
"Eu gosto de mamar"
As alunas sorriram.
"Então a senhora não tem vergonha de mamar?"
"Não tenho!"
"A senhorita está ficando mocinha e tem que aprender a ler e escrever, e não vai ter tempo disponível para mamar, porque necessita preparar as lições. Eu gosto de ser obedecida! Estais ouvindo-me D. Carolina Maria de Jesus?"
Fiquei furiosa e respondi com insolência.
"O meu nome é Bitita. Não quero que troque o meu nome."
"O teu nome é Carolina Maria de Jesus."
Era a primeira vez que eu ouvia pronunciar o meu nome.
Que tristeza que senti. Eu não quero este nome, vou trocá-lo por outro.
A professora deu-me umas reguadas nas pernas, parei de chorar. Quando cheguei na minha casa tive nojo de mamar na minha mãe. Compreendi que eu ainda mamava porque era ignorante, ingênua e a escola esclareceu-me um pouco.
Minha mãe sorria dizendo:
"Graças a Deus! Eu lutei para desmamar esta cadela e não consegui. A minha mãe foi beneficiada no meu primeiro dia de aula. Minha tia Oluandimira dizia:
"É porque você é boba e deixa esta negrinha te dominar."
(apud: BOM MEIHY, J.C. Sebe & LEVINE, Robert M. Cinderela negra. A saga de Carolina Maria de Jesus. Editora da UFRJ, 1994, p.173-174)
Para saber mais:
Carlos Vogt, “Trabalho, pobreza e trabalho intelectual”, ComCiência, Edição Violência - Faces e Máscaras, n.o. 26, novembro de 2001. - http://www.comciencia.br/reportagens/violencia/vio12.htm
José Carlos Sebe Bom Meihy, “Carolina Maria de Jesus: emblema do silêncio”, Revista USP, São Paulo, n.o. 37, 1998.

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"Imagine que você tem uma conta bancária e a cada manhã você receba um saldo de R$ 86.400,00. Só que não é permitido transferir o saldo para o dia seguinte. Todas as noites o saldo é zerado, mesmo que você não tenha gasto tudo. O que você faria? Certamente você gastaria cada centavo.
Pois vou lhe dizer: isso não é imaginação! Você é cliente desse banco e ele se chama “tempo”.
Todas as manhãs é creditado 86.400 segundos na sua vida. Todas as noites o saldo é zerado. Não é permitido acumular saldo para o dia seguinte. Todas as manhãs sua conta é reiniciada e todas as noites, os segundos não aproveitados se evaporam! E nisso não há volta.

Como você anda gastando esse saldo que Deus credita em sua vida todas as manhãs? Temos que estar atentos à importância de cada segundo...
Quer saber o valor de um ano? Pergunte a um estudante que repetiu o ano escolar; quer saber o valor de um mês? Pergunte a uma mãe que teve seu bebê prematuramente; quer saber o valor de uma semana? Pergunte ao diretor de um jornal semanal; quer saber quanto vale uma hora? Pergunte aos namorados que estão ansiosos por se encontrar; quanto vale um minuto? Pergunte a uma pessoa que perdeu o ônibus; e um segundo, quanto vale? Pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente e, até um milésimo de segundo tem valor... é só perguntar ao atleta que ganhou a medalha de ouro em um torneio!
Portanto: valorize cada momento que você tem.
E, lembre-se sempre: ontem é história, amanhã é mistério e o hoje é dádiva, por isso é chamado de presente!"
- desconheço o autor -